
A
estaca raiz
é
indicada para grande variedade de situações
como locais de difícil acesso, reforço de fundações
existentes, atualmente para fundações de novas
pontes e viadutos, contenções de encostas, perfuração
de solos com matacões e rochas, etc. |
Estaca
Raiz
É uma estaca concretada “in-loco”, injetadas,
considerada de pequeno diâmetro, elevada capacidade
de carga baseada essencialmente na resistência por
atrito lateral do terreno.
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I –
INTRODUÇÃO
É uma
estaca concretada “in-loco”, considerada de pequeno
diâmetro, pois o mesmo varia entre 100 mm < Ø
< 410mm, tendo elevada capacidade de carga baseada essencialmente
na resistência por atrito lateral do terreno atravessado,
seu diâmetro e comprimento. Evidentemente, se constatada
a presença de rocha na ponta da mesma, ela pode ser empregada
também como estaca com resistência de ponta. Em ambos
os casos, o cálculo de uma fundação em estacas
raiz é semelhante ao método clássico utilizado
em outros tipos de estacas e baseia-se na capacidade de carga
da mesma isoladamente.
Devido ao
seu processo executivo a estaca raiz é uma estaca de argamassa
armada, com fuste contínuo rugoso e armada ao longo de
seu comprimento. Ela atende as especificações quanto
à resistência da argamassa, interação
ferro-argamassa, proteção e recobrimento da armadura,
etc.
As estacas
raiz foram empregadas inicialmente no reforço de fundações
e ao longo dos anos, com o aprimoramento de novas técnicas
de perfuração e ampliação de novos
conceitos e parâmetros da mecânica dos solos, seu
uso disseminou-se permitindo resolver diversos problemas na área
de fundações, de contenção de taludes
ou escavações, de consolidação de
terrenos e outros.
Podem ser executadas
na vertical ou inclinadas, com limitação de pé
direito ou da área de trabalho, devido às dimensões
reduzidas do equipamento de perfuração. Alinhando-se
a isto, podemos salientar também: a alta produtividade
obtida; a possibilidade de atravessar qualquer tipo de terreno
inclusive rocha, matacão, concreto armado e alvenaria;
a ausência de vibração; de descompressão
do terreno e o baixo nível de poluição sonora
II
- METODOLOGIA EXECUTIVA
PERFURAÇÃO
É efetuado
pelo sistema rotativo ou roto-percussivo, utilizando um tubo de
revestimento em cuja extremidade é acoplada uma coroa de
perfuração adequada às características
geológicas da obra. No caso de ser necessário atravessar
camadas de concreto, matacões ou rocha, utiliza-se martelo
de fundo com “bits” acoplado a hastes com diâmetro
inferior ao diâmetro interno do tubo de revestimento. Caso
seja necessário dar continuidade à perfuração
com revestimento, utiliza-se sapata para efetuar o alargamento
do furo no material impenetrável.
O material
proveniente da perfuração é eliminado continuamente
pelo refluxo do fluído de perfuração através
do interstício criado entre o tubo de revestimento e o
solo, devido à diferença existente entre diâmetros
(Ø coroa > Ø tubo), lubrificando ainda a coluna
e facilitando a descida do tubo.
A perfuração
pode-se dar também internamente a uma camisa metálica
cravada até o impenetrável, tendo a finalidade de
criar um elo de ligação dessa camisa com a rocha
através de um pino ou furo feito com martelo de fundo (down
the hole).
ARMAÇÃO
Concluída
a perfuração da estaca com a inclinação
e profundidade previstas, procede-se à colocação
da armadura que tem o comprimento do fuste da mesma.
A armadura
pode ser constituída por monobarra ou feixe de aço;
várias barras de aço com estribo helicoidal formando
uma “gaiola”, tubo metálico, ou ainda uma mescla
dessas alternativas.
Para estaca
raiz à compressão, o transpasse das diversas seções
feito por simples sobreposição e para estaca à
tração utiliza-se de preferência solda ou
luva roscada.
Pode ainda
absorver esforços horizontais que provocam esforços
de compressão e tração no fuste se a estaca
for inclinada e de flexão se ela for executada na vertical.
Nesse caso, deve ser utilizada armadura periférica para
resistir a esforços ou empuxos horizontais.
Ressalve-se ainda que,
em função do diagrama de atrito lateral, a seção
da armadura ao longo do fuste pode ser variável.
CONCRETAGEM
A concretagem
é efetuada sob pressão, rigorosamente controlada
e variável entre 0,0 a 0,4 MPa (dependendo do tipo do solo),
utilizando-se uma argamassa de elevada resistência, obtida
pela mistura de areia peneirada e cimento, na proporção
de 600 Kg de cimento para 1 m3 de areia, com fator água/cimento
entre 0,4 a 0,6 considerando-se as características da areia
empregada.
Inicialmente,
coloca-se o tubo de concretagem até o fundo da perfuração
lançando a argamassa de baixo para cima, garantindo-se
a troca do fluído de perfuração pela argamassa.
Estando toda perfuração preenchida com argamassa,
coloca-se um tampão no topo do revestimento precedendo-se
a retirada do mesmo com o emprego de um extrator hidráulico
e, concomitantemente executa-se a injeção de ar
comprimido que é controlado para evitar deformações
excessivas do terreno, garantindo a integridade do fuste e também
a perfeita aderência da estaca com terreno.
Essas operações
são repetitivas, e deve-se adicionar argamassa para o complemento
preenchimento do tubo visando o seu nível sempre acima
da coroa de perfuração. A retirada do revestimento
poderá ser executada também com o próprio
equipamento de perfuração.
Ressalva-se,
que a pressão do ar aplicada é determinada pela
absorção do terreno e deve também evitar
a laminação da argamassa aplicada. Procedendo-se
como acima, é permitido no dimensionamento estrutural da
estaca considerar a resistência da argamassa, reduzindo
sensivelmente a armadura necessária e obtendo um custo
final menor.
Nos casos
de estacas metálicas perdidas, a concretagem segue o mesmo
procedimento, não tendo a necessidade de compressão,
pois o suporte e o contato são a própria camisa,
não havendo deformação nenhuma
Salienta-se, que para
estacas com perfuração através de estruturas
existentes, a solidarização, estaca/estrutura é
imediata após a concretagem, praticamente não provocando
esforços na estrutura enquanto se processa a transferências
do carregamento, devido à baixa deformação
necessária para a absorção da carga de trabalho
pelas estacas.
III.
CONSIDERAÇÕES
As principais
considerações são:
Sendo uma estaca que
tem uma capacidade de carga dimensionada em função
do atrito lateral, responde imediatamente a qualquer movimento
da estrutura no caso de empregada como reforço de fundação,
substituindo no todo ou em parte a fundação inicial
dependendo da concentração técnica do projeto
de reforço.
Pode ser utilizada
em qualquer tipo de terreno; atravessar vários tipos de
obstáculos e ter diferentes inclinações.
Resiste a carga de
tração muito elevada o que a torna ideal no caso
de fundação para torres de linha de transmissão
até plataformas de petróleo, substituindo também
os tirantes empregados em estrutura de contenção
É executada
também no sentindo descendente, com diferentes diâmetros
de perfuração ao longo do fuste, observando-se normalmente
a menor resistência das camadas superficiais. Formam-se
dessa maneira capitéis, que podem receber reforço
na armadura da cabeça para absorver esforços horizontais.
Como a concretagem
é efetuada com controle rigoroso e o aglomerado é
injetado sem perda de carga, a leitura do manômetro da bomba
corresponde praticamente à pressão da argamassa
sobre o terreno, evitando-se assim deformação excessiva
no mesmo, bem como efeito da “clacagem” (laminação)
da argamassa.
Quando utilizada em
grupo de estacas, com diferentes inclinações e grande
densidade, formam o chamado “reticulado”. Nesse caso,
sua capacidade de carga é medida pela área delimitada
pelas mesmas e não somente pela capacidade individual de
cada estaca (similar ou que ocorre na análise da estabilidade
de uma árvore)
Nas provas de carga
à compressão, pode-se utilizar as estacas vizinhas
trabalhando à tração para elementos de reação,
eliminando-se a necessidade de cargueiro ou tirante.
Ressalve-se
que nas provas de carga à tração em estacas
previstas à compressão, os resultados obtidos não
refletem o verdadeiro comportamento à compressão,
além de apresentarem altos custos adicionais devido ao
acréscimo da armadura de tração e a não
consideração da resistência da argamassa da
estaca raiz.